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Resenha — Diário de Busca — W Souza

segunda-feira, abril 25, 2016

Livro: Diário de Busca
Autor: W Souza
Editora: Chiado Editora - Cortesia
Páginas: 342 - Ano:  2015
Gênero: Ficção /Ficção Científica
Skoob: Adicione na estante
Nota: 4/5 ♥

Sinopse: O incansável explorador dá de ombros e não se deixa abater, tentando demonstrar maturidade e controle. Eval tinha razão, muito ainda estava por vir, aquilo era só o começo.

 Aprendeu com sua mãe a ser persistente, a lutar pelo que acredita, e pensou: É como dizia um velho amigo - Para o obstinado, o tropeço é apenas um empurrão para seguir em frente.

Agradeceu, despediu-se, pegou a mochila, e virando a aba do boné para trás, gesto que fazia quando estava indignado, partiu, sorrindo apenas para a secretária. Jamais desistiria, não era o perfil dos Di Carlli. Dali foi direto para a biblioteca preparar o material para uma próxima possível expedição.



RESENHA

Leopoldo Di Carlli é um menino simpático e encantador, passa a maior parte de seus dias devorando livros e viajando na imaginação de suas histórias. Muito falante e espontâneo, facilmente conquista todos a sua volta. Seu pai é um médico bem-sucedido e sua mãe é bibliotecária. Em um dia chuvoso e com muitos trovões, Leopoldo, descobre em sua estante um livro escondido que parecia não ser lido há muito tempo. O livro estava empoeirado, mas tinha uma capa azul linda que chamou a atenção do garoto, era um livro sobre arqueologia. Encantado com a nova descoberta, Leopoldo passou a devorar cada página com afinco, o assunto o interessou tanto que continuou sua busca por tudo relacionado ao tema.


A vida em família era muito harmoniosa, eram muito unidos. Apesar de Leopoldo não ter irmãos sempre cresceu rodeado de amigos e pessoas que o amavam. Um dia seu pai acaba contraindo varíola e morre, Leopoldo e sua mãe ficam desolados e sem esperança. Com o tempo as coisas vão se ajeitando e dona Leopoldina com carinho ensina seu filho a conviver com a saudade. Ela, católica fervorosa resolve impor o sacerdócio à Leopoldo, ele não achava ruim, adorava aprender coisas novas, as aulas eram interessantes e ele não queria decepcionar a mãe que tanto fazia por ele. Porém esse não era seu sonho, o que queria fazer da vida era estudar arqueologia.


Sua mãe nunca aceitou isso, jamais imaginou seu único filho fora do celibato. Foi pedir ajuda ao bispo, após fazer uma vistoria no quarto de Leopoldo e encontrar várias pedras, algumas do tamanho de laranjas, outras do tamanho de azeitonas, e claro, livros de arqueologia. O bispo aconselhou a mãe a colocar o garoto em um internato. Sem coragem a mãe voltou para casa e jogou todas aquelas pedras fora, na frente de Leopoldo, que em um esforço sobre-humano, segurava sua mãe na tentativa de impedi-la, mas ela aos gritos dizia que ele estava ficando louco e que se continuasse assim o colocaria em um internato. O garoto aos prantos e em um acesso de fúria, quebrou alguns moveis e correu para rua em desespero, estava anoitecendo e com muita chuva. Naquele mesmo dia Leopoldo adormeceu na mata. Ao voltar para casa, sua mãe o aguardava preocupada e desesperada. Ambos conversaram e se entenderam. Os dias passavam e Leopoldina viu seu filho voltar ao que era antes. Ele voltou a participar das atividades da igreja e a jogar futebol com seus amigos, sua mãe estava satisfeita e contente. Até o dia em que seus antigos amigos do futebol foram atrás dele e falaram com sua mãe, informando que Leopoldo, ao contrário do que dizia para a mãe, nunca mais havia voltado ao futebol, ou estado com seu amigo. Sua mãe então resolveu segui-lo e o encontrou na mata, em sua cabana, que havia levado três meses para ser construída. Naquele mesmo dia Leopoldina repleta de raiva deu uma surra em seu filho e queimou sua cabana.


Após seus rompantes de fúria, dona Leopoldina, envia Leopoldo para o padre Hélio em um internato, nesse lugar começa seu verdadeiro inferno. Ali, meninos problemas eram deixados por seus pais a fim de torná-los garotos responsáveis, disciplinados e estudiosos, mas na verdade aquele lugar era um centro de maus tratos. Ali, as crianças tinham a mais repleta forma de tortura física e psicológica: eram obrigados a dormir em colchões velhos e camas de pedra, havia apenas um banheiro fétido para 45 pessoas ao fim do corredor, todos tinham que trabalhar em serviços pesados ao raiar do sol e dormir ao início do anoitecer, passavam a maior parte do tempo lendo livros apenas de catolicismo, outros não eram permitidos. Apanhavam com varas de laranjeira e com palmatórias, as surras eram tão severas e evidentes, que muitas crianças precisavam ir para o hospital, ou até mesmo ficavam com algum defeito físico, como foi o caso de Saul, um amigo de Leopoldo que apanhou tanto que ficou manco de uma perna. Os pais não acreditavam nos maus tratos relatados pelos garotos, apenas achavam que era uma desculpa para fugir da disciplina. Ali Leopoldo viveu alguns anos, até o dia em que sua mãe o leva de volta para casa.


Agora com 20 anos, Leopoldo faz uma viajem ao Peru, especificamente para Machu - Picchu, sua mãe o incentiva, pois acredita que essas viagens fazem parte da busca espiritual e que serão úteis no sacerdócio. Por obra do destino, Leopoldo, encontra uma entrada para o que parece ser um templo Inca. Fica animado com a nova descoberta e ao voltar para casa deixa seus relatos e pesquisas com seu amigo, Eval, que trabalha em um museu, para avaliação. Infelizmente suas pesquisas não renderam o que ele esperava e sua descoberta segundo os estudiosos do museu eram comuns. Ainda em sua busca e dividido entre sua paixão por arqueologia e sua obrigação com o sacerdócio, Leopoldo perde o direito as suas viagens, pois quando sua mãe descobre que ele ainda tem interesse em arqueologia corta o dinheiro, obrigando, assim, Leopoldo a dedicar-se totalmente ao sacerdócio. Sem escolha, ele segue sua vida conforme os gostos da mãe. Era o melhor aluno, mesmo estando lá por obrigação e não por vontade própria. Um dia ele recebe a notícia que sua mãe morreu de infarto, mais uma rasteira na vida de nosso amigo, mas como dizem, a vida escreve certo por linhas tortas, a partir daí, Leopoldo vai em busca de seu maior sonho: vai estudar arqueologia.


O livro não contém apenas um único protagonistas. Trata-se de um ciclo de protagonistas em família: filhos e netos, através de uma árvore genealógica. Cada membro da família envolve-se de alguma maneira com arqueologia, ciências, buscas, astronomia, etc. Cada um vai completando o trabalho de Leopoldo, que neste momento da história já é um arqueólogo muito famoso que vive viajando pelo mundo, fazendo suas descobertas. A trama entra em dois pontos e mistura passado e futuro em dois âmbitos. Leopoldo, que está em idade avançada é avô de um jovem chamado, Tony, ele em uma noite na biblioteca de sua casa revendo os arquivos do avô, descobre um mapa que leva a descoberta de um novo planeta, nomeado por eles de "Pérola Negra", nesse momento eles envolvem-se com a NASA e, são convidados para explorarem a descoberta juntamente com um corpo de astronautas no espaço sideral, Leopoldo por estar idoso recusa o convite, mas Tony aceita e embarca em uma nave espacial. Ali vivem muitas aventuras e descobertas em busca do desconhecido.


Nota da Blogueira

O livro me surpreendeu muito e positivamente, jamais imaginei tal enredo e fiquei muito interessada na trama, tanto que li em apenas dois dias. O livro é grande, mas a história em si é muito rápida e envolvente. Por algum momento no início da história cheguei a relacionar o livro com (O Alquimista de Paulo Coelho), justamente na parte em que Leopoldo começa suas viagens em busca de seus sonhos. A diferença é que em, O Alquimista o protagonista estava em busca de autoconhecimento e espiritualidade e, Leopoldo ia em busca de arqueologia e liberdade. Porém tal menção passou rapidamente. Ao continuar minha jornada entre as páginas, pude notar que não existem semelhanças além dessa, na verdade o livro é uma caixinha de surpresa, pois quando você pensar que é uma coisa, na verdade é outra.

Em momento algum da leitura ou da trama, acreditei que iria para a área de ficção científica, muito menos que estaria dentro de pouco tempo em outra dimensão, com uma nova história, presenteada pelos autores em minhas mãos, em um único livro, recheado de aventuras, recomeços e novas histórias. Em Diário de Busca, passamos pela história de um passado para as descobertas de um futuro, cujo laços familiares entrelaçam a história fascinante que se transforma essa obra.

 Um livro para ser lido desde o adolescente em busca de aventura, ao leitor entediado que busca novas possibilidades. Tenho certeza que esse não é um livro que lhe dará sono, risos. Começamos a história com Leopoldo nos anos 1920, no Vaticano em Roma, e viajamos até 2017, onde Tony, seu neto, da continuidade aos sonhos do avô.

Gostoso, envolvente, rápido, aventureiro, surpreendente e expansivo, Diário de Busca, é um prato cheio para uma boa leitura. Super recomendado!






















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1 comentários

  1. Oi Viviane,

    Parabéns pela resenha. As fotos ficaram incríveis. Emocionante!

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